Como citar
SANTIAGO, Iago Gusmão. Dicionário Toponímico Histórico Ecológico da Bahia. In: Corpus Toponymicum Bahiae, 2025. Disponível em: https://ctbahiae.com/index.php/dicionario-ecologico/. Acesso em: .
O Dicionário Toponímico Histórico Ecológico da Bahia (DTHEB) é um dicionário toponímico digital que apresenta os nomes de lugar da Bahia, considerando aspectos históricos, culturais e ambientais do estado. Aqui você não terá apenas acesso ao significado dos nomes dos lugares, mas conhecerá sua origem, localização e outras informações que ajudam a entender os diferentes porquês da escolha de um nome.
Toponímico ou geográfico?
Exemplo de Dicionário Geográfico. Fonte: Internet Archive.
Os termos dicionário toponímico e dicionário geográfico não são sinônimos[1]. Nesse sentido, entende-se que essas obras lexicográficas se diferenciam em seus objetivos e sua estrutura:
i. O dicionário geográfico tem por objetivo o registro dos nomes das entidades geográficas, bem como as informações relativas à estas entidades. Seu interesse não está no estudo linguístico. Sua estrutura é marcada pela ausência de lematização toponímica, havendo um verbete para cada nome.
ii. O dicionário toponímico tem por objetivo o registro da toponímia de uma determinada área geográfica, com ênfase no estudo dos significados dos itens lexicais que derivaram os topônimos locais, podendo ou não apresentar informações acerca de cada localidade nomeada. Seu interesse está no estudo linguístico. Sua estrutura é marcada pela lematização toponímica, podendo haver um verbete para cada forma toponímica atribuída a uma variedade de entidades geográficas.
Nesse sentido, o DTHEB consiste em um dicionário toponímico digital, que busca representar de forma abrangente a realidade lexical da toponímia baiana, ao passo que os recursos digitais permitem que esta abrangência se dê em um formato conciso, que centralize os dados geográficos no aspecto semântico.
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Por que ‘histórico’?
Um dicionário histórico se caracteriza pela robustez da documentação histórica consultada, possibilitando a construção do histórico de registros de um item lexical a partir de uma base empírica. Nesse sentido, a amplitude de um dicionário histórico não consiste apenas na questão cronológica, mas da extensão da base filológica utilizada para sua confecção.
No quesito toponímia, o fator histórico representa não apenas a localização de variantes gráficas ou morfológicas de um topônimo individualmente, mas a possibilidade de datação de algumas formas e a caracterização das variedades toponímicas presentes em cada tipo de documento. Trata-se de um conhecimento aprofundado da dinâmica toponímica, da formação dos seus estratos a partir de uma base empírica.
O DTHEB não nasce como dicionário histórico, visto que não conta com uma documentação abundante in statu nascendi, mas pretende tornar-se, ao passo que novos dados são catalogados e inseridos no ADHET, proporcionando a revisão e ampliação dos verbetes. Essa proposta só se fez possível devido a materialização do projeto no ambiente digital, que possibilita elaboração contínua da obra lexicografica.
Por que ecológico?
O DTHEB adota uma perspectiva ecológica da linguagem, com base nos princípios da ecolinguística, campo da linguística que busca descrever a língua (interações linguísticas) em relação ao seus ambientes: natural, cultural, mental e social (Couto, 2007; 2009; 2013).
O campo dedicado à elaboração de obras lexicográficas é denominado ecolexicografia (Sarmento, 2005). O seu interesse inicial era de expandir a abordagem lexicográficos para abarcar o estudo de lexias ecológicas e antiecológicas, associadas ao discurso positivo e negativo acerca da natureza (Sarmento, 2005; Albuquerque, 2019).
O DTHEB busca expandir essa atuação no campo da ecolexicografia, por considerar que para além do discurso ambiental ou acerca da natureza, um dicionário ecológico deve interessar-se pelos ambientes de um modo geral, observando a relação do homem com o mundo ao seu redor.
O DTHEB considerada para um dicionário ecológico, as seguintes esferas de análise toponímica:
1. Esfera sensorial: interações físicas com o mundo natural ou manufaturado; relativas ao ambiente físico/natural.
2. Esfera cognitiva: interações do aparato cognitivo linguístico, com os demais ambientes e o imaginário coletivo; relativas aos ambientes mental e cultural. Aqui se enquadram os discursos ecológicos/antiecológicos.
3. Esfera social: interações entre falantes, que demarcam compartilhamentos coletivos. Aqui considera-se contatos linguísticos e culturais que possiblitam transformações nas línguas e, por conseguinte, na toponímia.
Além disso, DTHEB propõe-se ao posicionamento crítico diante das interações analisadas, com o intuito de contribuir para a formação ecocêntrica dos consulentes, em consonância com os princípios do CTB.
Verbete
Outras informações
Multimídia
Outras mídias
Localização
Referências
ALMEIDA, Thamara Santos de. Restaurando a Caatinga: experiência do projeto RE-Habitar Ararinha Azul na Bahia. In: Apremavi, 2025. Acesso em: 22 nov. 2025.
ARAÚJO, Bernardo. Para a ‘extinta’ ararinha-azul, retorno bem-sucedido é ofuscado por incertezas. In: Mongabay, 2024. . Acesso em: 22 nov. 2025.
CURAÇA OFICIAL. Corrida da Ararinha Azul encanta Comunidade da Fazenda Melancia em Curaçá. In: Curaçá Oficial, 2023. Acesso em: 22 nov. 2025.
Vercillo Ugo et al. Spix’s Macaw Cyanopsitta spixii (Wagler, 1832) population viability analysis. Bird Conservation International, Cambridge, v. 33, p. 1-12, 2023.
FLORES, Victor. Tita. In: Victor Flores, s. d. Acesso em: 22 nov. 2025.